Análise Semanal 26/01
Publicado em 26.01.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Análises semanais
Essa semana tivemos apenas 4 dias de negócios. Tanto aqui no Brasil, com o feriado da cidade de São Paulo na sexta-feira 25/01, como nos EUA, com o feriado de Martin Lutter King na segunda dia 21/01. Mas o destaque da semana, não foi o fato de termos menos dias de pregão. O interessante, foi o movimento de recuperação das bolsas mundiais, diante das recentes quedas. Apesar de ainda não apresentar números expressivos de alta, a sangria deu uma pausa. O Ibov fechou praticamente estável -0,08% e o Dow subiu 0,89%.
Resultados contraditórios
Durante a semana pipocaram diversos números sobre a saúde das empresas americanas. Os dez grandes bancos norte-americanos mais afetados pela crise do mercado de crédito subprime já perderam US$ 353 bilhões em valor de mercado desde o final de agosto até a última sexta-feira. Para se ter uma idéia, isso equivale a quase 40% de todo o valor de mercado das empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a mais de seis Bradescos. Somente o Citigroup perdeu US$ 111 bilhões em valor de mercado, o que equivale a um recuo de 48% sobre o valor que a instituição tinha no final de agosto do ano passado. O banco valia na última sexta-feira US$ 121 bilhões, ante US$ 233 bilhões antes do começo da crise.
Por outro lado, empresas não financeiras, deixam ainda a esperança de que tudo não passa de apenas um susto. A Johnson & Johnson´s (J & J) alegrou o mercado financeiro americano, ao anunciar resultado melhor do que o esperado no quarto trimestre de 2007. A maior fabricante mundial de produtos de cuidado com a saúde fechou os três meses com ganho líquido de US$ 2,4 bilhões (US$ 0,82 por ação), 9,5% acima dos US$ 2,2 bilhões (US$ 0,74 por ação) apurados em igual intervalo de 2006.
Outro exemplo foi a AT&T. A empresa americana de telecomunicações, lucrou US$ 3,1 bilhões nos três últimos meses de 2007 em uma base líquida, o equivalente a US$ 0,51 diluído por ação. O montante ficou em mais de 60% acima daquele somado em mesmo período de um ano antes, de US$ 1,9 bilhão, ou US$ 0,5 por papel. As receitas quase dobraram - saíram de US$ 15,9 bilhões para US$ 30,3 bilhões.
Segundo a Bloomberg, 28 das 39 empresas não-financeiras do S&P500 que anunciaram resultados até agora tiveram lucros bem acima das expectativas.
A surpresa
Apenas esses resultados positivos porém, seriam insuficientes para acalmar os mercados. Na terça feira, entrou em ação o “Capital Nascimento” (ops !) americano, Sr. Ben Bernanke.
Apesar da decisão do Fed não ter sido unânime, o corte de 75 pontos básicos para 3,5% ao ano, representa uma tentativa de proteger a economia da desaceleração do setor imobiliário e da turbulência no mercado financeiro. Segue a tradução da declaração feita após o anúncio do corte:
“O Comitê tomou essa ação em virtude da deterioração da perspectiva econômica e dos riscos mais elevados para o crescimento. Apesar dos problemas nos mercados de financiamento terem diminuido no curto prazo, as condições mais amplas do mercado financeiro continuaram se deteriorando e o crédito ficou mais enxuto para alguns empresários e mutuários. Além disso, dados futuros indicam um agravamento da contração do mercado imobiliário, bem como nos mercados de trabalho”, divulgou a instituição em comunicado.
“O Comitê espera que a inflação modere nos próximos trimestres, mas será necessário continuar monitorando os acontecimentos da inflação cuidadosamente”,
acrescentou o texto. “Riscos para o crescimento persistem. O Comitê continuará avaliando os efeitos dos acontecimentos nas perspectivas econômicas e vai agir se necessário para combater esses riscos”, completou o Fed.
Apesar da reação imediata nos mercados mundiais, a sensação de muitos economistas era de que essa decisão inesperada do Fed, na verdade, refletia que a crise era mais séria do que se imaginava.
O pacote
A calma seria apenas sacramentada com o anúncio do pacote de estímulo econômico acordado entre o governo e congressistas americanos. Pelo pacote, o governo americano distribuirá cheques aos contribuintes, a título de restituição de impostos, e incentivará a compra de equipamentos por parte das empresas. A idéia é beneficiar mais de 110 mil famílias com renda anual de até US$ 187 mil. O contribuinte individual fará jus a US$ 600 e casais poderão receber US$ 1,2 mil, além de US$ 300 para cada filho.
Os investidores se animaram com a perspectiva de que essa injeção de dinheiro na economia possa reaquecer o consumo e ajudar as famílias em dificuldades a pagar dívidas.
George Soros, nos trazendo de volta a realidade
Sem dúvida a semana nos trouxe perspectivas mais positivas para a crise. Mas em recente artigo, o mega investidor George Soros, alerta que “em vista do encarecimento do petróleo, dos alimentos e de outras commodities, e da valorização mais rápida do yuan, o Fed também precisa preocupar-se com a inflação. Se os juros forem cortados para abaixo de certo ponto, o dólar ficará sujeito a renovadas pressões e os bônus de longo prazo passariam a proporcionar um rendimento mais alto. É impossível determinar qual seria esse ponto, mas quando for atingido, a capacidade de o Fed estimular a economia terá chegado ao fim.”
Conclusão: otimismo sim, mas sem euforia.
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Apresentação em vídeo
Gráficos exibidos nesta edição: Ibov, Dow Jones, Risco Brasil e os Fluxo dos Investidores na Bovespa e na BMF.
Para ver o vídeo: Clique na imagem. Abrirá uma nova janela e clique no play.
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27 de janeiro de 2008 às 12:19
Bom Christian, pelo que subentendi dos seus gráficos a situação não está tão preta assim, né?
Vou segurar mais um poquinho minhas Vales.
Obrigada,
Abraços.
27 de janeiro de 2008 às 12:53
Olá Christian,
Uma pesquisa feita pela CNN verificou que a maioria dos americanos irão pagar dívidas com o dinheiro liberado, alguns irão gastar e outros poupar, se eu não me engano acho que os números são aprox.: 50%, 30% e 20% respectivamente.
Será que isso vai dar certo, mesmo sabendo que 50% irão ficar sem dívidas e poderão consumir mais?
Abraços
Leo
27 de janeiro de 2008 às 13:39
Caro Christian
Percebi alguma insegurança em sua analise , desta semana , estou certo ? Não é para menos , se percebi corretamente , está dificil prever algo , com um mercado reagindo com medo diante de qualquer noticia negativa. Os fundamentos de algumas analises estão tão furados , pois agora se descobriu que o desmonte das operações do Jérôme, pelo Societê, é que provocaram um tsunami nas bolsas européias na ultima semana.
Enfim , estou fora do mercado , desde o dia 7 do corrente , quando vendi Vale5 a 48,45 , 48,42 , etc ( tinha entrado em 03/09/07 ).Foi ótimo !! No dia 11 fiz uma pequena posição de LOGN3 a 14,25 e , estou no prejuizo, mas vou esperar com paciencia. O quê você acha ?
Continuo ligado em seus comentários .
Um forte abraço
Angelo Matteucci
27 de janeiro de 2008 às 18:39
Regina,
graficamente, sem dúvida o movimento desta semana foi interessante. E para mim até surpreendente. Não esperava a demarcação de um fundo com volume no Dow Jones com tanta força (testado duas vezes).
Mas fundos também são rompidos… ainda mais quando a situação macroeconômica da matriz continua muito ruim.
Grande Abraço
27 de janeiro de 2008 às 18:41
Leo,
a esperança dos republicanos é exatamente essa… que esse pacote incentive o consumo, e que a recessão seja evitada (ou pelo menos, reduzida) neste ano eleitoral.
Difícil saber o resultado. Principalmente, porque o tamanho do rombo ainda é desconhecido.
Grande Abraço
27 de janeiro de 2008 às 18:53
Olá Angelo,
insegurança eu não diria, mas a configuração deste fundo me deixou um pouco intrigado. Achei o movimento interessante dentro de um cenário preocupante. Ou seja, as coisas ficaram indefinidas, se imaginarmos uma estratégia de curto/médio prazo.
Resumindo, exatamente como você escreveu.
Sobre a LOGN3… grande coincidência… também especulei com o papel… entrei mto próximo deste patamar, comprei nos 14,20.. no rompimento com volume da zona de congestão… mas infelizmente, o papel “violinou” !… eu preferi sair no stop pré-definido (13,50)… uma pena… gosto do ativo e acho que no médio prazo ele promete.
Grande Abraço
28 de janeiro de 2008 às 17:46
Oi Christian,
Um analista disse que esse ano a bolsa vai andar de lado, ano que vem vai despencar e em 2010 vai bater nos 30.000 pontos. Vc acha isso possível?
Talvez vc não queira comentar uma previsão de outra pessoa mas graficamente é possível prever um “desastre” dessa magnitude?
Voltar pros 30.000 pontos seria retroceder demais, não? Gostaria muito de ouvir sua opinião.
Eu estou tão feliz com o lucro das minhas VALE5 e BBDC4…
Agora só vou de CP. Tive que mudar minha estratégia. E hoje para completar o quadro clínico o HB do Bradesco não abriu.
Grande abraço.