Análise Semanal 09/02
Publicado em 09.02.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análises, Análises semanais
Ibov -3,20%. Dow Jones -4,40%.
Os números parecem indicar um certo descolamento do índice brasileiro com o mercado americano. Devido a sua volatilidade, era de se esperar uma queda mais acentuada no Ibov. O feriado de carnaval deixou o índice atrasado em relação a matriz, mas os ajustes nos últimos três dias da semana foram inferiores ao que se esperava.
Essa é apenas uma constatação pontual. Imaginar que essa independência se torne realidade daqui pra frente seria muita ingenuidade da minha parte.
Enquanto o brasileiro pulava o carnaval…
A semana começou agitada nos EUA. Na terça, o ISM Services, índice que mede o nível de atividade não-industrial, caiu para 41,9 pontos em janeiro, frente aos 54,4 pontos do mês anterior. O indicador, que reflete cerca de 90% da atividade econômica, atingiu o menor nível desde outubro de 2001, ano que marcou a última recessão da economia norte-americana.
Nos mercados o reflexo foi imediato. O Dow fechou o dia na mínima, registrando uma queda de quase 3%.
Em contrapartida…
Já no enceramento desta sexta-feira, o Senado dos Estados Unidos aprovou o pacote de estímulo à atividade econômica, de cerca de US$ 150 bilhões, proposto pelo governo do presidente George W. Bush e já endossado pela Câmara. A proposta recebeu 81 votos favoráveis e 16 contrários e a expectativa é de que o presidente receba a matéria para sanção no fim de semana.
Pelo plano, serão distribuídos cheques aos contribuintes, a título de restituição de impostos, para incentivar o consumo e facilitar o pagamento de dívidas. Consumidores individuais com renda anual de até US$ 75 mil receberão US$ 600 e os casais com renda até US$ 150 mil ficarão com US$ 1,2 mil, mais US$ 300 por filho. Para os contribuintes com renda superior, os benefícios serão parciais e proporcionais. O projeto aprovado no Senado também inclui entre os favorecidos aposentados e veteranos de guerra.
Sobre os novos cortes de juros
O governo americano espera com o pacote conseguir combater a crise de maneira mais eficiente do que os recentes cortes da taxa básica. A redução da taxa básica tem surtido pouco efeito para o tomador final de crédito pois os bancos estão muito mais rigorosos na concessão de financiamento e os juros na ponta
final vêm subindo independentemente das reduções feitas pela autoridade. Além de o perigo de ressurgimento da inflação a partir de cortes adicionais ser muito grande.
O Fed já não possui muita folga para futuros cortes. Se o juro real tornar-se negativo na medida que utiliza o PCE como índice de inflação, poderá ocorrer um enfraquecimento do dólar capaz de desencadear um surto inflacionário e uma busca por ativos reais. Entre estes podem estar incluídas as commodities.
Para o Brasil seria benéfico, pois a principio valorizaria as empresas exportadoras de matérias-primas, mas as pressões inflacionárias no mundo com certeza trariam um grande ônus também para o país.
E o resto do mundo ?
Alguns números recentes já apresentam que o grande crescimento asiático começa a perder força. Tanto na China como na Índia, as previsões para 2008, mesmo sendo ainda muito acima da média mundial, apesentam uma taxa de crescimento mais modesta se comparada a anos anteriores.
Para o governo chinês a desaceleração poderia ajudar a segurar o superávit comercial, motivo de críticas internacionais, e ao mesmo tempo redirecionar o crescimento, da indústria pesada para os setores de serviços e consumo. Isso acontecendo, reduziria a atual preocupação que os chineses demonstram quanto a dependência de materia-prima para sustentar o crescimento do país.
Alías, neste aspecto, o fato de a Chinalco tornar-se acionista da Rio Tinto pode significar o surgimento de um concorrente em potencial para a BHP. Fica cada vez mais claro, que o governo chinês nada em dinheiro e não tem problema de financiar suas estatais para atender os interesses do Estado, mesmo que os
negocios não sejam necessariamente lucrativos para as companhias.
Na Europa, destaque para o pronunciamento do Banco Central Europeu(BCE), Jean Claude Trichet. Trichet, mesmo mantendo a taxa básica de juros inalterada, afirmou que as pressões inflacionárias persistem na zona do euro em curto prazo e que a instituição deve agir com “grande prioridade” para evitar maiores impactos nos preços. Com isso, o BCE prevê riscos de desaceleração e projeta um crescimento modesto do Produto Interno Bruto (PIB).
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9 de fevereiro de 2008 às 20:24
Christian
Boa tarde . È sempre muito bom te-lo de volta , com suas analises judiciosas . Não lhe parece que o DJ está de fato caminhando para romper os11.700 e por via de consequencia cair até mais ou menos 10.000 ? Qual seria a relação DJ x Bovespa neste caso ?
Um grande abraço
Angelo Matteucci
9 de fevereiro de 2008 às 21:38
Olá Angelo,
o bom é vê-lo comentando aqui de novo… obrigado !
Perguntas difíceis as suas, hein !!! ehehe
Sinceramente não sei se o DJ vai ou não romper os 11700. Se analisasse apenas o aspecto gráfico te diria que considero muito improvável, afinal de contas o fundo foi testado duas vezes e resistiu bem (com volume).
Porém o cenário econômico não me deixa tão otimista. A crise parece muito longe de já estar superada. Ainda vejo mais desdobramentos.
Quanto o Ibov vai cair, também é de difícil previsão. Uma coisa é certa, isso ocorrerá se as coisas na matriz realmente azedarem…
Se de um lado a volatilidade aqui no mercado brasileiro é bem maior, por outro, as perspectivas da economia nos favorecem. Ou seja, são duas forças agindo em sentido oposto.
Grande Abraço
10 de fevereiro de 2008 às 14:05
Execelente análise como sempre.
Abraços
Leo
11 de fevereiro de 2008 às 16:42
Olá CHR!
Excelente analise conjuntural…
Vamos trabalhar para reconstruir o portfolio…
grande abraço,
Stock Buster…
12 de fevereiro de 2008 às 0:33
Parabéns pela análise e pelo post de análise fundamentalista também.
Agora, cá para nós, essa descolada de hoje do DJIA não foi muita estranha, não? Passei o fim de semana lendo artigos na internet e percebi que o clima “lá fora” é péssimo. E o DJIA anda a passo de formiga, com os touros aparentemente cansados…
Estou pensando em encarteirar umas não-blue chips e gostaria de saber se vc ainda acha que a posi3 é uma boa opção. Achei-a com indicadores P/VPA e P/L muito elevados, sem falar na questão do aumento de imposto em SP.
Abraços,
João Bauptista
12 de fevereiro de 2008 às 18:37
João,
obrigado pelas palavras.
A questão do aumento do imposto em SP, a Positivo (como eu já postei) tem várias alternativas para resolver a questão. A diferença é de apenas 3 % e a propria direção da empresa já anunciou que isso pode ser embutido no custo. Além disso, os parques industriais na Bahia e no Amazonas são outra alternativa.
Quanto aos indicadores, o difícil é que não temos uma outra empresa do setor para usarmos como base de comparação. Semana que vem sai o resultado, vamos acompanhar.
Grande Abraço
13 de fevereiro de 2008 às 11:57
[...] mencionei na análise semanal, os últimos pregões vem mostrando um certo descolamento do Ibovespa em relação [...]