Seguem os depoimentos dos amigos participantes do blog. Agora é a vez do Francisco Zanette.
Vale muito a leitura, principalmente considerando a experiência de daytrader que ele nos relata. Obrigado, Francisco.
Carta aos leitores
Antes um histórico pessoal. Sou engenheiro civil, mas não exercito mais a profissão, em função principalmente dos tetos salariais do setor. Os possíveis ganhos na bolsa me pareceram muito atraentes, porque não existem limites nem tetos. Como estou com 50 anos, não tenho tempo a perder se quiser ter uma aposentadoria digna. Comecei a operar no mercado em outubro do ano passado, sem ter nenhum conhecimento mais profundo do assunto, a não ser as notícias do canal Bloomberg. Opero no Home Broker, desde então em full time. Sou daytrader, apesar da não recomendação geral. Tentei até trabalhar swing trader, mas com o mercado volátil não dá. Tenho como meta ganhos de 10% ao mês, e vi que o único meio de alcançar esta meta é no daytrade. A vida do daytrader não é fácil, mas existem lucros grandes para quem não se esforça muito? Nos dois primeiros meses tive um prejuízo considerável, mas não desanimei. Sou autodidata e a bolsa, a princípio, me pareceu um assunto extraordinário. Outra característica minha é a facilidade que tenho em observar padrões. Acho que é loucura ter este comportamento, mas no caso da bolsa de valores julgo ser de vital importância para a sobrevivência no mercado. Outra coisa que faço constantemente é reengenharia, pego métodos antigos e os aprimoro. Gosto muito das técnicas de Gauss, ele era um matemático que utilizava todas as possibilidades, inclusive as absurdas para resolver suas equações. Era um gênio, muito além de sua época. Mas voltando ao meu histórico, em dezembro resolvi aplicar todos os meus recursos na bolsa.
A princípio só tive prejuízos, que cresciam a cada dia. Foi então que fui na expomoney, indicação de um cunhado meu. Lá ouvi apenas duas palestras, a do Home Broker do Banif e a palestra do Stormer. Aquilo me abriu os olhos sobre as AT e não parei mais de estudar. Foi então que descobri, pesquisando na internet, o site da ADVFN. Assinei o plano de $10.00 e comecei pela primeira vez me guiar pelos gráficos. Abria os gráficos de várias ações ao mesmo tempo, o que me criou uma dificuldade grande de visualização. Foi então ai que comecei a aumentar o número de monitores (hoje opero com cinco). A AT e o livro de oferta me deram uma visão nova do mercado, mas mesmo assim não conseguia ter saldo positivo em meus trades. Resolvi então explorar todos os indicadores disponíveis no site. Aí me veio a idéia de utilizar o MACD e como estava período de 1 Minuto, Eureka. Fiz inúmeros testes e fiquei tão animado que fechei todas as posições das ações que estava, mesmo com prejuízo, para centralizar as aplicações unicamente na PETR4. Comecei a ter sucesso nas negociações. Tinha criado um sistema bastante confiável.Notei também que o Ibov e a Petro estavam colados no Dow, então abria estes três gráficos, para decidir as entradas e saídas. Em função da dificuldade da digitação do valor exato de compra ou venda, me veio a idéia de enviar as ordens com preço a maior ou a menor valor, o que é fundamental para aumentar os lucros ou minimizar as perdas. O nervosismo normalmente faz estragos na digitação de preços e há muita perda de tempo e oportunidades. No mês seguinte (janeiro) não tive o mesmo sucesso, nem a disciplina dos dias anteriores. Deu tudo errado. Havia me esquecido da AT e me vi fazendo mais de 20 trades curtos por dia, totalmente emocionalmente. Para complicar ainda mais a plataforma de dados do ADVFN começou a dar pau, atrasando os dados ou até mesmo ficando inoperante. Para piorar a bolsa começou a despencar e eu desesperado, me atirei como um loco ao mercado, tentando recuperação, o que resultou em uma perda de 40K no mês. Do céu ao inferno em 30 dias. Minha mulher queria me internar. Em fevereiro caí em mim e comecei a fazer swingtrade ou no máximo dois trades por dia. Perdi a fé em mim mesmo e comecei a ter a pior emoção para um daytrader: o medo. Deu resultado parcial a mudança de estratégia, pelo menos não perdia mais, mas em compensação, também não ganhava. Em março comecei a operar com uma plataforma operacional profissional, o ProfitchartRt da Nelogica que fez uma grande diferença. Mas mesmo assim tinha abandonado totalmente o Macd e já estava sem esperanças. Nos meses de março e abril tive finalmente lucro, mas operando quase que no sentimento e com toneladas de análises fundamentalistas, e respeitando muito as previsões para o mercado do mestre Christian na escolha do ativo que operaria no dia. Sempre procurando incansavelmente saber o que eu fizera anteriormente que tinha dado certo. Tentei outros métodos, e analisei cada trade errado feito. No final de abril consegui relembrar o que tinha acontecido. Era o Macd. Vi também que apenas o Macd não era suficiente para uma entrada segura, visto que nos dias de forte e constante baixa, o Macd mostra muitas entradas falsas, já que a tendência parece que vai mudar e continua em queda. O fato que atrapalha o Macd é a desova de ações que estes fundos estrangeiros fazem nas blue chips. Outra coisa é que eu não conseguia pegar eram os grandes lucros nas subidas fortes, já, que como sabemos, as subidas longas formam um canal de alta, com subidas grandes e descidas pequenas, como descreve Eliot. Um dos meus principais problemas é que não consigo aplicar stops. Por isso minhas entradas têm que ser perfeitas.
Quando a ação começa a cair fico congelado. Sou otimista demais. Acrescente as AT duas médias móveis exponenciais de 21 e 60 períodos de 1 minuto também, superpostas aos gráficos de candles. O que resolve a dúvida da decisão nas decidas e subidas prolongadas. Tenho diversificado um pouco os ativos de aplicação, visto que as blue chips no momento estão em queda livre. Obs: tenho aplicado mais na GGBR4, que está distribuindo mais lucros no intraday. Descartei totalmente a PETR4, já que ela está muito nervosa, distribuindo muito pouco pelo risco que é estar nela. Tenho aplicado na Braskem e na Vivo, que às vezes contrariam o mercado. Utilizo ainda o ADVFN que é a única plataforma que mostra no intraday as ADRS. Se você quer ser um daytrader, não pense que é um caminho fácil. Antes de se arriscar leve em contas que a nossa bolsa é basicamente composta de 11 papéis com a liquidez necessária para o daytrade. São eles: PETRO 3/4, VALE 3/5, CSNA, GGBR, USIM, BBAS, ITAU, BBDC e UBBR. Os riscos das outras são imensos, pois a baixa liquidez faz com que qualquer fundo (diga-se de passagem, que 75% dos investidores, são corretoras e administradores de fundos estrangeiros como Morgan, Credit, Merril, etc. ou fundos e instituições nacionais), derrube a cotação mais de 1% em segundos, muitas vezes. Estes fundos não vendem apenas, eles desovam centenas de milhares de ações em apenas um dia.
Acredito em sistemas de operação muito simples, coisa complicada não funciona. Atualmente se possível não penso em números ou valores, nem enlouqueço com o book de ofertas. Para mim os gráficos são a representação dos números e a única fonte necessária para meu sucesso. É muito mais fácil visualizar e entender os gráficos, do que processar centenas de números. Não leio as notícias do dia, porque elas podem me tirar a objetividade. Não perco tempo com nada que possa me tirar à atenção aos gráficos. Confesso que é bastante nervoso e ao mesmo tempo cansativo trabalhar no daytrade desta forma. Para amenizar toda esta tensão ouço minhas músicas preferidas, enquanto trabalho. Tenho lido agora livros sobre psicologia e autocontrole aplicados a operação na bolsa. O livro do Elder é um bom começo. Se tiver coragem experimente o daytrade, mas comece com pequenos valores e pegue uma corretora com custo baixo. Confesso que estou com ganhos quase dentro da minha meta, apesar da instabilidade reinante. Espero que gostem do meu depoimento.
Um abraço,
Francisco