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Estratégia: Baixo PL

Publicado em 26.08.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias

 

pl2 Estratégias usando a relação entre o preço e o lucro por ação são muito comuns entre os investidores seguidores da análise fundamentalista.

Definição: O múltiplo preço/lucro é a razão obtida ao dividir o preço da ação em bolsa pelo lucro por ação num determinado período.

É muito comum encontrar ao mesmo tempo diversos múltiplos PL para uma só empresa. Isso ocorre devido as variações do lucro por ação usado no cálculo. Alguna analistas utilizam o lucro por ação ‘do último ano fiscal (PL corrente). Outros preferem calcular usando como base os trimestres (PL passado). Já alguns estimam o lucro esperado no próximo ano como parâmetro (PL futuro).

Por isso, antes de determinar uma estratégia usando o PL, é importante que você saiba como a sua fonte de dados gerou o indicador.

A estratégia mais comum usando multiplos PL é a chamada compra de ações com baixo PL. Os seguidores desta prática são conhecidos como investidores em valor. Ou seja, ao identificarem ações com PLs muito baixos eles entram comprando.

Por exemplo o PL médio das ações brasileiras já esteve acima de 20 e agora está em torno de 13. Um cenário interessante para estes investidores.

Até aí, nenhum mistério. A questão é definir o que é um PL baixo.

Alguns analistas instituíram que abaixo de 8, o PL de uma empresa, pode ser considerado baixo. Já para outros preferem a idéia de usar a média do segmento que a empresa atua, como referencial.

Mas as duas abordagens pecam em alguns pontos.

Não podemos definir um número como PL ideal, se como vimos, temos diversas formas de calcular o indicador.

Por outro lado usar a média de um segmento também não parece ser o ideal. O fato de múltiplos PL não poderem ser menores que zero (quando o lucro por ação for negativo), mas poderem assumir valores muito elevados, tem consequências para o cálculo de estistícas da média. Uma análise mais significativa seria o uso de uma mediana, ou seja metade das empresas teria PLs menores que esse valor e metade teria PLs superiores a ele.

Talvez a idéia principal que deve ser considerada em uma estratégia de baixo PL é saber que nem sempre empresas que apresentam esta configuração estão subestimadas. Muitas vezes por apresentar perspectivas de crescimento futuro fraco ou inexistente e por estar sujeitas a muito risco, o PL pode parecer atraente.

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O momento é agora !

Publicado em 12.08.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Opinião

 

acoes Sei que pode parecer para muita gente loucura… sei que diante das últimas semanas de queda, alguns podem achar que eu surtei… sei que olhando para a crise das commodities, muitos vão achar minha opinião sem cabimento… mas… acho que este é o momento ideal para entrar no mercado.

O melhor momento para iniciarmos (ou continuarmos) uma carteira de longo prazo é quando o mercado inicía um processo de correção. A intenção não é achar "uma agulha no palheiro". Ou seja, não quero identificar o ponto preciso de compra. Em uma carteira de acumulação, as compras (assim como as vendas) devem ser  realizadas paulatinamente e de forma programada.

Um investidor precisa estabelecer objetivos honestos. Alguns investem para acumular ou expandir riqueza outros apenas para se divertir. Pode parecer absurdo, mas é verdade. Grande parte dos investidores age por impulsos de origem psicológica ou cultural e de forma irracional em relação aos seus investimentos. E irracionalidade só leva a catástrofes ou, no máximo, a resultados medíocres.

Vejam por exemplo o atual momento da nossa bolsa. Muita gente, movida pelo medo, se desfaz de suas posições, quando na verdade deveria estar comprando.

A imprensa especializada colabora para este sentimento de pânico, estampando manchetes que assustam a "sardinhada" e deixam a impressão de fim dos tempos.

A Vale e a Petrobrás já cairam mais de 40% desde o seu último topo histórico. ‘Sem dúvida, para quem já as possui em carteira, é uma desvalorização dolorida. Mas por outro lado, pode ser uma oportunidade ímpar para aumentar o peso delas na carteira e diminuir o preço médio.

Sei que não é nada fácil ter a capacidade de confortavelmente ir contra a maré, comprar quando todos só pensam em vender. Mas estes são os momentos que fazem a diferença. O pensamento independente, a capacidade de suportar a pressão, o sangue-frio para sustentar sua posição no longo prazo e a visão de longo prazo são características fundamentais para uma performance consistente.

Se você já definiu o seu objetivo na renda variável e o seu horizonte de investimento para alguns anos, não deixe esta oportunidade passar. O momento ideal para você acumular riqueza é agora. Monte uma carteira com ativos sólidos e faça compras em lotes. Não deixe que o imediatismo e a ganância tomem conta de você.

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Aluguel de ações

Publicado em 23.07.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Informações, Opinião

 

alug Recentemente venho apresentando as posições em aberto na cblc das principais ações do nosso mercado. No caso específico da VALE5, pudemos comprovar na semana passada a forte movimentação nos papeis alugados da empresa (veja a análise semanal). Por isso resolvi abordar neste artigo o assunto.

Em tempos de baixa do mercado, emprestar ações é a forma mais corriqueira para se potencializar os ganhos de uma carteira de longo prazo. As taxas pagas hoje em dia na maioria das ações brasileiras estão bem acima dos demais mercados pelo mundo. Tais taxas têm feito o estrangeiro que aplicava em papéis brasileiros lá fora, na forma de American Depositary Receipts (ADRs, recibos de ações), fazer o caminho inverso, convertendo os seus papéis em ações e trazendo a negociação para o mercado local.

Muitos fundos estrangeiros usam o aluguel de ações para promover arbitragens no mercado. São os famosos fundos long/short, que usam preços entre pares setoriais, o Ibovespa e papéis que compõem a carteira teórica ou entre uma cesta de ações e o índice, para estruturarem suas operações.

Em tese, qualquer quantidade de ações pode ser colocada em aluguel, sempre por meio de uma corretora que tem acesso ao sistema da CBLC em tempo real e que vai buscar um tomador no mercado. A oferta e a procura é que definem as taxas de empréstimo e, em geral, quanto menor for o estoque de ações em circulação, maior será o preço que fundos e demais tomadores estarão dispostos a pagar por determinado papel.

É importante salientar, que além de receber, no encerramento do contrato, uma remuneração previamente pactuada, o aplicador continua tendo direito a dividendos e juros sobre capital próprio.

O tomador do aluguel pode a qualquer momento devolver a ação. É a chamada cláusula de reversão,  que só é possivel de ser usada, pelo lado de quem pegou ações emprestadas. Neste caso o valor do aluguel é calculado pro rata.

Importante: a operação de aluguel não é considerada uma operação de renda variável. Portanto para o cálculo do imposto de renda, considera-se a mesma tributação da renda fixa com o uso da tabela progressiva.

Opinião

O aluguel de ações sem dúvida pode representar uma boa oportunidade de remuneração para carteiras que possuem um horizonte mais longo. Vale porém lembrar, que as ações mais líquidas, e por sua vez as que mais atraem os investidores de longo prazo, não possuem uma taxa tão expressiva (ex. VALE5 0,60% aa e PETR4 0,40% aa). E por experiência própria posso afirmar, que alugar estas ações não é uma tarefa fácil. A fila de doadores é bem grande.

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Definições financeiras e fundamentalistas

Publicado em 05.06.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado

 

Resolvi reunir neste artigo algumas definições sobre indicadores financeiros e fundamentalistas.

Confesso que alguns, eu nunca utilizei, mas julgo importante o seu conhecimento.

Já outros são fundamentais para uma análise mais minuciosa de um investimento de médio/longo prazo.

 

  • Alfa: medida usada para avaliar a eficiência do gestor de uma carteira de investimentos ou fundo. De forma simples, o quanto sua gestão contribui além do retorno esperado. O ideal é que a carteira tenha um alfa elevado, com risco baixo, maximizando a relação entre esses dois. Em determinados tipos de produtos, como os fundos long/short, por exemplo, existe o chamado duplo-alfa, uma espécie de duplicação do retorno, via posições compradas e vendidas.
  • Beta: é a correlação entre a variação do preço da ação e o retorno de mercado. Pode-se dizer que é a parcela de risco não diversificável que uma açãoindi carrega consigo. O beta indica o perfil de comportamento da ação em comparação a um indicador de referência (Ibovespa, IBrX, etc.). Se o beta é superior à unidade, esse ativo será considerado agressivo, pois terá um desempenho melhor do que o índice. Se for inferior, diz-se que o ativo tem perfil conservador ou defensivo e ,caso seja igual à unidade, será um ativo neutro. A analogia é total em relação ao beta de uma carteira/fundo calculado por média ponderada. Há diversos softwares no mercado que disponibilizam o beta histórico das ações.
  • Delta: é a mudança no preço da opção em relação à mudança no preço do ativo objeto. Por exemplo, se o preço de uma ação sobe R$ 1 e a opção valoriza-se R$ 0,4, então o delta da opção será de 40% (R$ 0,4/R$ 1). O delta, entretanto, não é um número estático. Ele oscila dependendo de variações nos preços do ativo. Para essa variação destacamos outra letra grega, o Gama.
  • EV/EBITDA: múltiplo que relaciona o valor da empresa, incluindo sua dívida líquida (EV), com seu resultado operacional (EBITDA). É um indicador do tempo de retorno (anual) para se reaver o investimento feito na ação. Em minha opinião, é o múltiplo mais interessante de se analisar, pois possui a qualidade de se estar com um número mais adequado no denominador. indi2
  • P/L: múltiplo que relaciona preço em bolsa com o lucro da empresa. Tal qual o EV/EBITDA, é o tempo de retorno que se leva para reaver o investimento na ação, só que em termos de lucro. É o indicador mais usado pelos analistas.
  • Rho: mede a variação no prêmio da opção em relação à taxa de juros. Se os juros aumentam ou diminuem, isso causa impacto sobre o prêmio, para cima ou para baixo, supondo demais variáveis constantes.
  • Theta: mensura o quanto variará o prêmio da opção ao se aproximar o exercício da mesma. Suponha uma opção com preço de exercício de R$ 50 e que seu ativo objeto esteja negociado no mercado à vista por R$ 52. Se seu prêmio estiver negociando em bolsa por R$ 3, o valor temporal da mesma será R$ 1.
  • VaR: o Value at Risk é o máximo valor possível de perda para uma carteira de investimentos, dado um nível de significância estatístico estipulado (em geral 95%), em condições de não estresse. São nos outros 5% que podem ocorrer prejuízos superiores, originados, por exemplo, das crises sistêmicas.
  • Vega: um ativo oscila ao longo do tempo. Esse sobe e desce influi no prêmio da opção, que deriva daquele ativo. O vega é justamente essa mudança no preço da opção em função da mudança na volatilidade.
  • WACC: custo médio ponderado do capital. Uma empresa pode captar recursos de duas fontes: de seus acionistas e/ou via empréstimos. Cada uma dessas fontes possui um custo associado a ela. Chega-se ao WACC da empresa ponderando o custo do capital próprio e o capital de terceiros, considerando o benefício fiscal sobre esse último. Serve, dentre outras coisas, como taxa de desconto para cálculo do preço justo de uma empresa.

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Turtle Soup Plus One

Publicado em 20.05.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias

 

A algum tempo, publiquei aqui no blog, um artigo sobre a estratégia Turtle Soup criada por Laurence Connors e Linda Bradford. Agora trago um complemento a tartesta mesma estratégia, com um "plus" a mais, como fizeram questão de denominar os mesmos autores.

Importante que o visitante leia o artigo anterior, para que tenha o entendimento completo.

O gráfico abaixo é o das ações preferancias do Bradesco (BBDC4). Podemos observar que no dia 20/03, o ativo fez uma mínima nos 31,86 reais. Seis pregões depois (dia 28/03) realizou um nova mínima ainda menor nos 31,46. O círculo rosa no canto superior esquerdo representa a vigésima barra contando desta última mínima do dia 28/03.

 

BBDC4

BBDC4 - Gráf. Diário

 

Pois bem, vamos agora para as regras da estratégia :

1- No dia 28/03 encontramos uma nova mínima dos últimos 20 dias (seta azul clara). Quanto mais baixa, melhor.

2- A mínima anterior (20/03) deve ter ocorrido, pelo menos 4 barras antes desta atual (seta verde).

3- É colocada uma ordem start de compra no dia seguinte, um pouco acima  da mínima anterior. A compra é válida apenas para o dia seguinte depois da nova mínima. Caso a ordem não seja executada neste dia, a operação deve ser desconsiderada.

4- Se a ordem for executada, colocar imediatamente uma ordem de stop loss um pouco abaixo da nova mínima. (linha vermelha)

5- Se o trade caminhar a nosso favor, é  recomendado realizar o lucro parcial entre o segundo e o sexto dia após a entrada. E consequentemente utilizar uma estratégia de trailing stop (Parabolic ou Hilo, por exemplo) afim de garantir os lucros no restante da posição.

 

Podemos observar que neste mesmo gráfico da BBDC4, teríamos outras duas entradas utilizando esta estratégia. Uma no dia 10/03 e outra no dia 17/03 (setas marrons). Em ambas o mercado confirmou uma alta no dia seguinte.
Vale a pena, somente ressaltar, que esta é uma operação de curto prazo. Portanto o trader precisa não ser ganancioso e respeitar seu time frame, realizando o lucro assim que puder.

A principal diferença entre a estratégia Turtle Soup e a Turtle Soup Plus One, consiste na disponibilidade de tempo e na paciência do investidor.

A segunda permite que o trader possa fazer uma análise com calma após o fechamento do pregão e se programar para o dia seguinte. Já a primeira estratégia exige um acompanhamento real time.

IMPORTANTE: O uso do money management em operações deste tipo, meramente especulativas, é fundamental. Utilize algum algoritmo de manejo do capital evitando correr grandes riscos financeiros para a carteira.

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Turtle Soup

Publicado em 25.03.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias

 

Essa é uma estratégia técnica de curto prazo, criada por Laurence Connors e Linda Bradford, e publicada no livro Street Smarts, que procura identificar um ponto de reversão nos gráficos.

Antes de mostrar a técnica, acho conveniente falar um pouco sobre a história que originou esse "pattern".

Tartaruga

Nos anos 80, um grupo de traders conhecido come os Turtles (os tartarugas) utilizava um sistema que se baseava no breakout de preço dos últimos 20 dias. Ou seja, assim que os preços formassem uma nova máxima nos últimos 20 dias, eles compravam. Da mesma forma, uma nova mínima dentro deste período disparava a venda.

Essa estratégia se mostrou bastante eficaz (principalmente no longo prazo), tanto que "os tartarugas" ganharam muita notoriedade. O sistema pretendia capturar algum evento especial, que levasse os preços a novas máximas.

Com a evolução do trade eletrônico, se tornou muito comum os falsos breakouts. Ou seja, os rompimentos não são confirmados e os preços voltam a trabalhar dentro da zona de congestão.

E é pensando neste cenário, que Connors e Bradford, desenvolveram a estratégia Turtle Soup.

 

O setup é o seguinte:

1- Hoje encontramos uma nova mínima dos últimos 20 dias (quanto mais baixo, melhor).

2- A mínima anterior deve ter ocorrido, pelo menos 4 barras antes desta atual.

3- É colocada uma ordem start de compra, um pouco acima  da mínima anterior. A compra é válida apenas para o dia de hoje.

4- Se a ordem for executada, colocar imediatamente uma ordem de stop loss um pouco abaixo da mínima de hoje.

5- Se o trade caminhar a nosso favor, usar alguma estratégia de trailing stop (Parabolic ou Hilo, por exemplo) afim de garantir os lucros.

 

Exemplo:

No dia 27/11, a CSNA3, abre formando uma nova mínima dos 20 dias e em seguida os preços reagem superando a mínima do dia 12/11. Neste momento é efetuada a compra, com stop um pouco abaixo dos 39,98. Nos dias que se seguem, o papel faz um rally de alta.

 

CSNA3

CSNA3 - Gráfico diário

 

Lembrando: Esta estratégia é de curtissimo/curto prazo. Pode durar apenas algumas horas, ou no máximo, alguns dias.

Além disso, o uso do money management em operações deste tipo, meramente especulativas, é fundamental. Utilize algum algoritmo de manejo do capital evitando correr grandes riscos financeiros na carteira.

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Desvendando o PL

Publicado em 13.03.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado

 

lucro

Muitos investidores encaram a análise fundamentalista de uma empresa olhando apenas para o PL.

É verdade que no passado a influência do PL na tomada decisão foi mais significativa. Hoje em dia, com a propagação de outras abordagens (fluxo de caixa, valuation, etc) a relação Preço/Lucro perdeu um pouco do seu encanto.

Basicamente, o índice é a divisão do lucro por ação de uma empresa (ou seja, o lucro dividido pelo número de ações que a companhia possui) pela cotação do papel no mercado. A idéia é avaliar se o papel está barato em relação ao lucro que a empresa apresenta e que vai para o bolso do acionista na forma de dividendos ou ao ser incorporado ao patrimônio da empresa. Assim, se uma empresa tem um lucro de R$ 50 por ação e cada papel é cotado a R$ 100, seu P/L seria 2 vezes (100 dividido por 50). Como o lucro é anual, de maneira simplista, poderia-se inferir que a empresa em dois anos retornaria ao investidor o valor pago pela ação.

Mas é importante deixar claro, que o PL não deve ser usado isoladamente. Olhando apenas o indicador, não é possível definirmos sobre um investimento.

Nem sempre um PL baixo significa uma boa oportunidade. O famoso especialista em investimento Aswath Damodaran em seu livro "Mitos dos Investimentos", sentencia: "Uma estratégia baseada apenas nos baixos múltiplos Preço/Lucro pode ser perigosa". Damodaran admite que as evidências do mercado confirmam que as ações com P/L baixo apresentam desempenho maior que as de P/L elevado. Mas quando são incluídos na análise outros dados, a conclusão é que o P/L baixo pode ser também um indicador de risco elevado e taxas futuras de crescimento baixas.

De qualquer forma a relação Preço/Lucro continua sendo muito usada pelas instituições financeiras / corretoras aqui no Brasil. Inclusive se calcularmos o PL das principais ações brasileiras depois da crise subprime é possível encontrar ótimas oportunidades. Mas é bom lembrar que outros critérios devem ser usados em conjunto com o PL, para uma tomada de decisão mais embasada.

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Expectativa positiva

Publicado em 14.02.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Aprendizado, Estratégias, Opinião

 

É muito comum encontrarmos investidores/traders que buscam um trading system que consiga obter um grande percentual de operações vencedoras. Mas se esquecem que mensurar o tamanho dos ganhos/perdas é tão importante quanto conseguir um número maior de trades vencedores.

Entende-se como expectativa positiva, obter um rendimento líquido superior as perdas líquidas. É possivel exemplificar essa definição através de uma formula:

 

Expectativa = (PW x AW) - (PL x AL)

 

PW (Probability of a Winning) - Probabilidade de ganhar
AW (Average Win) - Média (em valor) dos ganhos
PL (Probability of a Losing trade) - Probabilidade de perder
AL (Average Loss) - Média (em valor) das perdas

 

Por exemplo, vamos supor que tenhamos em um recipiente 60 bolas pretas e 40 bolas vermelhas. Toda vez, que sortearmos uma bola preta ganhamos 1 real, e perdemos 1 real se a bola for a vermelha. Jogando isso na formula, teriamos:

 

Expectativa = (0,6 x 1) - (0,4 x 1)= 0,6-0,4 = 0,2

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Ou seja, podemos auferir, depois de múltiplas tentativas,  em média, 20 centavos para cada real apostado. Sem dúvida, um retorno interessante.

Muito simples,não é verdade ? Infelizmente, como sabemos no mercado encontramos um número bem maior de variáveis (bolas) do que o exemplo acima. :)

Agora vamos imaginar que ao invés de 60% de chances de ganho nos tenhamos apenas 36%. Tenho certeza que muito investidor/trader fugiria de um trading system com esse percentual de acerto. Sem nem ao menos saber sobre o payoff de cada variável.

Ao invés de apenas duas cores, agora o nosso jogo se apresenta da seguinte forma:

 

Número e cor das bolas

Se sorteada..

Payoff (pagamento)

50 bolas pretas

Você perde

1:1

10 bolas azuis

Você perde

2:1

4 bolas vermelhas

Você perde

3:1

20 bolas verdes

Você ganha

1:1

10 bolas brancas

Você ganha

5:1

3 bolas amarelas

Você ganha

10:1

3 bolas trasparentes

Você ganha

20:1

 

Temos 100 bolas no recipiente, em 64 você perde e em apenas 36 você ganha. Antes o peso era igual. Agora cada cor possui um peso, ou seja, cada cor representa um valor de ganho ou perda.

Usando a formula, teríamos:

1. Bolas pretas - PL = 0,5 AL= 1; portanto (PLxAL) = 0,5 x 1 = 0,5
2. Bolas azuis - PL = 0,1 e AL=2; portanto (PLxAL) = 0,1 x 2 = 0,2
3. Bolas vermelhas, PL=0,04 e AL=3; portanto (PLxAL) = 0,04 x 3 = 0,12

Somando: 0,5+0,2+0,12 = 0,82. Essa é a expectativa negativa do jogo.

1. Bolas verdes, PW = 0,2 e AW = 1; portanto (PWxAW) = 0,2 x 1 = 0,2
2. Bolas brancas, PW = 0,1 e AW = 5; portanto (PWxAW) = 0,1 x 5 = 0,5
3. Bolas amarelas, PW = 0,03 e AW = 20; portanto (PWxAW) = 0,03 x 10 = 0,3
4. Bolas transparentes, PW = 0,03 e AW = 20; portanto (PWxAW) = 0,03 x 20 = 0,6

Somando: 0,2 + 0,5 + 0,3 + 0,6 = 1,6. Essa é a expectativa positiva do jogo.

 

Por fim, a expectativa global é a diferença entre os dois valores. Ou seja, 0,78 (1,6 - 0,82).

 

Com estes dois exemplos, fica claro que nem sempre um percentual maior de acertos significa um trading system mais lucrativo. No segundo exemplo, mesmo com uma probabilidade de "apenas" 36%, conseguimos obter uma perspectiva de ganho quase 4 vezes o primeiro jogo. 
dado
Portanto é possível concluirmos, que para validar um trading system não devemos olhar isoladamente para a probabilidade de êxito, mas o fator crucial  consiste na expectativa para cada real apostado.

A única maneira de conseguirmos expectativas positivas no longo prazo é através de um dimensionamento correto das posições assumidas em cada trade e levando em consideração a quantidade de capital disponível na carteira. Isso se chama, position sizing. Em breve, pretendo tratar do assunto aqui no blog.

Para quem se interessar sobre o assunto, recomendo a leitura dos artigos aqui publicados sobre Money Management .

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Vertentes da Escola fundamentalista

Publicado em 07.02.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Fundamentalista, Aprendizado, Estratégias, Opinião

artigoDando uma olhada nos artigos já postados aqui no blog, percebi que apesar de usar bastante a escola fundamentalista nas minhas análises dos pápeis que compõem a carteira CHR, muito pouco foi escrito sobre os conceitos básicos. Pensando nisso resolvi incrementar a seção Aprendizado, publicando este artigo sobre as duas princiapais vertentes que regem a análise fundamentalista.

Quando pensamos em analisar um ativo através da AF, podemos utilizar duas metodologias:

1- A Top Down

2- A Bottom-Up

A análise Top Down (de cima para baixo) concentra-se em observar os aspectos macroeconômicos. Eles seriam o principal fator para determinar o desempenho de um papel. Por exemplo: Em momentos de elevação de inflação, os investidores buscam proteção em ações de setores nos quais a alta de preços possa ser repassada de alguma forma. Os bancos em geral, por exemplo, podem proteger parte dos seus ativos no mercado financeiro.

A análise Bottom-Up (de baixo para cima) utiliza todas as informações disponíveis para calcular o valor justo de uma determinada empresa. Ou seja, ao invés de limitar-se somente ao cenário mais amplo, procura, através de um modelo determinado, identificar possíveis exageros (pra cima ou para baixo) nos preços dos ativos.
Isso se torna evidente, quando um papel cai violentamente devido a uma notícia ruim. O mercado, nestes casos, costuma primeiro vender e depois perguntar. Com uma análise Bottom-Up, o investidor pode mensurar o potencial impacto real daquele determinado evento no preço da ação.

As duas metodologias não são excludentes. Muito pelo contrário. Uma alimenta a outra. A análise Top Down, mesmo que muitas vezes seja subjetiva, cria o pano de fundo para que a a análise Bottom-Up vasculhe o mercado buscando empresas que através de seus ciclos, diferenças e momentos particulares, apresentem boas oportunidades.

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Estratégia - Volatilidade

Publicado em 14.01.2008 por CHRistian na(s) categoria(s) Análise Técnica, Aprendizado, Estratégias

van tharp

Vou relatar uma estratégia publicada por Van K. Tharp em seu livro “Trade Your Way to Financial Freedom” (recomendadissimo !) utilizando a volatilidade do ativo. Não realizei um estudo estatístico sobre a eficiência desta técnica, mas pelo fato de utilizar o Average True Range, que na minha opinião é um indicador indispensável para qualquer trader/investidor, resolvi publicá-la. Caso alguém se aventure em realizar um estudo histórico mais aprofundado sobre os resultados da técnica, adoraria que compartilhasse aqui.

A idéia é encontrar um timming mais seguro para uma entrada. Para isso o autor sugere utilizar algum indicador como o ADX para identificar ativos que encontram uma tendência. Até mesmo o cruzamento de médias móveis pode ser usado. O importante é que a técnica da volatilidade permite evitar (ou tornar menos frequentes) os habituais sinais falsos de breakout.

Identificada a tendência, usaremos o Average True Range. Assim que os preços começarem a se mover dentro de um range curto, o trader deve redobrar sua atenção. Fortes oscilações nos preços de um ativo em tendência ocorrem depois de uma desaceleração dos preços.

Van Tharp, utiliza a comparação entre dois valores no Average True Range, para identificar que o range de um determinado ativo se encontra baixo (ou curto). Caso a média do range dos ultimos 5 dias seja inferior a 60% da média do range dos últimos 50, o autor considera que o papel está apresentando uma desaceleração. Neste caso o trader deve escolher, baseado na sua metodologia, um sinal de entrada assim que a volatilidade do ativo voltar a ficar intensa.

Importante não esquecer de operar apenas na direção da tendência identificada no início.ITAU4

Exemplo: ITAU4 apresentava um período de congestão no curto, mas estava dentro de uma tendência clara de alta. No dia 06/07 o ATR (5) marcou 0,65, enquanto o ATR (50), 1,08 pontos. Neste momento o trader deveria acompanhar o ativo de perto e determinar um ponto de entrada (possivelmente um breakout) assim que a volatilidade mais intensa voltar. Os preços no dia 11/07 começaram a se movimentar com mais força e em seguida retomaram a tendência de alta.

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