Por Christian Cayre
A
minha primeira experiência no mercado financeiro aconteceu em 2002.
Através do gerente do meu banco na época, visitei o site de uma
corretora online e fui apresentado a um dos homebrokers
do mercado. A primeira operação foi um desastre. Não somente pelo
aspecto financeiro, porque depois de três dias posicionado vendi o ativo com um doloroso prejuízo, mas também pelo estresse emocional.
Somente
mais tarde percebi que o meu primeiro prejuízo serviria como um
balizador para as minhas futuras estratégias operacionais. Afinal de
contas, é muito comum encontrar investidores iniciantes que se iludiram
com a bolsa, depois de obterem êxito nas primeiras operações. Assim
como a grande maioria das pessoas físicas que se aventuram no mercado
financeiro, passei por quatro fases até chegar ao meu modo particular
de operar no mercado como investidor. Acompanhe cada uma delas.
Primeira Fase: operar apenas através de dicas. Neste
período, buscamos sugestões de papéis em todo lugar. E sem dúvida, com
o advento dos homebrokers, a Internet foi infestada por uma grande
quantidade de sites, fóruns, chats e blogs financeiros que alimentam os
iniciantes ávidos por indicações. É muito comum nesta fase, não
conhecermos nem a empresa que está por trás daquele código que acabamos
de comprar. Em resumo, deixamos que alguém, que muitas vezes nem
conhecemos pessoalmente, decida (indiretamente) como devemos alocar
nossos recursos.
Segunda Fase: busca pelo conhecimento. Neste
momento, não nos contentamos mais em sermos apenas digitadores de
ordens, queremos aprender a fazer nossas próprias análises. É a hora do
aprendizado. Buscamos através de cursos, livros e do enorme conteúdo
disponível gratuitamente pela Internet, a base necessária para que
possamos nos aventurar na criação de estratégias operacionais.
Terceira Fase: criação da própria metodologia. No inicio, a minha metodologia era baseada quase que integralmente na análise técnica
(gráfica). Mas com o tempo, percebi que os resultados não estavam sendo
satisfatórios e que devido ao enorme número de operações que eu
realizava, as corretagens ficavam com boa parte do meu lucro. Foi
então, que resolvi conciliar a análise técnica com a análise fundamentalista, aumentando meu horizonte de investimento.
No
começo confesso, me espantei como muitos analistas conceituados
consideravam impossível a convergência entre as duas escolas. Os
argumentos eram de que a análise técnica é válida apenas para o curto
prazo, e a fundamentalista, na contramão, não possui timing.
Entretanto,
eu sou a favor da combinação das duas análises, que em minha opinião,
se completam. Enquanto a fundamentalista permite ao investidor saber
quais empresas estão crescendo, gerando valor, possuem boa
administração e boas perspectivas de retorno de investimentos; a
técnica fornece ao investidor os indicativos para o momento certo de
comprar, vender ou manter a ação. A diferença básica entre elas é
evidenciada no objeto de observação das duas análises. Enquanto a
fundamentalista estuda a causa dos movimentos do mercado, a técnica
preocupa-se unicamente com os efeitos que causam alterações na oferta e
demanda dos ativos. Depois de analisar esses aspectos ainda falta uma
última fase.
Quarta Fase: disciplina. O último passo
foi desenvolver a disciplina necessária para respeitar o planejamento
estratégico traçado. Disciplina exige um grande autocontrole emocional.
Saber gerir ganhos e perdas, não deixando que aspectos psicológicos
interfiram nas regras determinadas pela metodologia, representa talvez
o aspecto mais importante para qualquer investidor.
Pensando nisso, elaborei uma simulação com quatro perguntas, antes de realizar uma operação no mercado. Vamos as questões: 1. Por que eu estou investindo nesta empresa e por que estou disposto a aplicar o montante que tenho em mente? 2. O que me faria vender o ativo? 3. O que eu espero que vá acontecer com a minha operação? 4. O que eu farei se acontecerem coisas diferentes do que eu esperava? Respondendo
essas questões, eu me sinto preparado psicologicamente para enfrentar
cenários adversos. Afinal de contas, o importante não é pensar o que o
mercado fará (pois nós não temos controle algum sobre isso), mas pensar
como reagir diante do inesperado.
Investir é uma atividade
humana extremamente complexa. E os resultados dos investimentos vêm de
um duro e disciplinado trabalho que envolve buscar cada vez mais
informações, analisar em maior profundidade os dados disponíveis e
acompanhar de forma mais próxima a evolução das informações. Sem dúvida
distorções e oportunidades sempre existirão, mas elas não são números
em uma roleta, para serem encontradas exigem dedicação e perseverança. |